O prestígio de Napoleão Bonaparte, em grande parte devido ao seu mérito militar nas batalhas contra as coligações europeias, eclipsou os outros cônsules, favorecendo a emergência do jovem general de 30 anos que acabaria arrebatando o poder sozinho, intitulando-se “primeiro cônsul”.
O Consulado pode ser compreendido como um período em que Napoleão Bonaparte buscou criar condições propícias para iniciar um projeto de desenvolvimento nacional que transforma a França em uma das grandes nações europeias, a ponto de questionar a hegemonia britânica no início do século XIX. As condições anteriores que favoreceram o crescimento do país estão associadas à busca de uma estabilização política inexistente desde que a Assembleia Nacional se reuniu em 1789. Napoleão não era um pacifista por natureza, mas entendia a necessidade de buscar um governo de união nacional que neutralizasse os inimigos da revolução e os radicalismos de esquerda, de tal modo que concedeu anistia aos monarquistas e jacobinos, normalizou relações com a Igreja Católica – suspensas desde o Período Jacobino – e celebrou a paz com as coligações europeias. A partir deste quadro de estabilidade política, ele iniciou um ambicioso quadro de ações tipicamente burguesas que favoreceriam o desenvolvimento econômico nacional.
O regime consular napoleônico foi uma bênção para a burguesia francesa. A perda do poder político com o 18 de Brumário foi compensada pelo ritmo de medidas de favorecimento e proteção aos indivíduos que gozavam do direito de propriedade privada. Napoleão criou uma Sociedade de Fomento Industrial, promoveu obras públicas que criaram infraestrutura para o desenvolvimento nacional, ergueu barreiras protecionistas, fundou o Banco da França com parte dos recursos provenientes da venda da Lousiana (1803) para o governo norte-americano, substituiu os assignats pelo franco, a nova moeda nacional, organizou os Liceus, que promoviam ensino e qualificação da mão de obra, coibiu a organização sindical e as greves e criou o Código Civil, instrumento de proteção das relações de propriedade privada. Com o fortalecimento econômico em plena marcha, a França acabaria entrando em rota de colisão com a Inglaterra em busca de uma nova equalização do mercado europeu.
Conteúdo publicado originalmente no ProMilitares, que agora faz parte do EuMilitar.